18.7.09

Os meus dez alimentos preferidos (3ª parte)

Número oito - Os "Sfoglatine" consistem, para quem não sabe, em biscoitos de massa folhada rectangulares com uma cobertura vidrada de açúcar baunilhado que se parte nos nossos dentes como a tampa de caramelo de um leite condensado ao primeiro embate da colher... São bons para acompanhar um chá, muito bons mergulhados em Nutella, e óptimos regados com um cappucino. São um capricho um bocadinho caro, dentro da prateleira de supermercado já de si cara dos biscoitos, se pensarmos que cada embalagem não traz mais de vinte biscoitinhos.
Uma brincadeira que nunca passa de moda entre as crianças é colocar uma capa de comida mastigada entre o dentes e os lábios e sorrir abertamente, horrorizando parentes e anciãos respeitáveis. Creiam-me que os "sfogliatine" são a melhor matéria-prima para a boa execução desta partida.

27.6.09

Festivais de Verão 2009

HIGHLIGHTS pessoais:

dia 29 de Julho, Paredes de Coura - Patrick Wolf

dia 8 de Agosto, praia da Rocha, Algarve, Festival Rock One - My Bloody Valentine

dia 29 de Agosto, Jardins do Palácio de Cristal - Mão Morta

Vamos ver até onde é que a mesada estica.

13.6.09

"Não sei se me quero polir."


Faz hoje 25 anos que um músico único e um homem autêntico deixou esta Terra. Onde quer que estejas, Variações, bem hajas pela tua magia e dádiva ao mundo.

27.5.09

Diz-lhes, irmã!!

" À medida que a rapariga vai crescendo, as suas actividades vão-se tornando mais limitadas. Os actos mais inocentes são-lhe proibidos por não ter idade para isso. Às vezes sente que está a ser catapultada para um mundo vergonhoso, que é o de se ser mulher, e resiste desesperadamente, ao ponto de retroceder ao comportamente infantil e destrutivo. Ela pode então tornar-se muito sisuda e desajeitada, muito antes que isso se possa justificar pela puberdade. A maioria das mudanças que se pensa estar intrinsecamente ligadas à puberdade estão na verdade ligadas aos últimos esforços da rapariga para manter a sua energia."

- Germaine Greer, "A mulher eunuco"

26.5.09

Pergunto-me...

...se um dia, não muito distante, a caligrafia se torne obsoleta. As pessoas têm cada vez menos necessidade de pegar numa caneta, e certamente muito menos estímulos. Quem é que ainda escreve cartas? Na escola, que criança entrega ao professor um trabalho feito "à mão"? E que professor abdica do power-point a favor do velho giz no quadro de lousa? Que tesoureiro de empresa escrevinha diligentemente no livro de balanço? Que casal de apaixonados deixa recadinhos um ao outro dentro da lancheira?

Não sei bem como é que isto me faz sentir. Acho que há algo de muito genuíno na caligrafia de cada pessoa, algo que nos dá pistas - às vezes sobre a sua personalidade,outras sobre o seu estado de espírito - que a sua expressão facial, gestos, tom de voz, indumentária, e muito menos as palavras que usa não deixam antever ( se é que não as escondem propositadamente).

É claro que isto será uma questão de somenos para muita gente. Mas muitos certamente reconhecerão a vantagem que o contacto directo com a "letra" dos colegas, amigos ou familiares proporciona.

20.5.09

Os meus dez alimentos preferidos (continuação)

Número nove : Robalo ao sal . Uma das razões pelas quais aprecio viver perto da costa é a possibilidade de comer bom peixe grelhado com alguma frequência. Um manjar de robalo é uma desculpa perfeita para se reunir um grupo à volta da mesa, e é relativamente simples de confeccionar. E é TÃO delicioso - melhor do que qualquer naco de carne. Dêem-me uma lasca generosa de robalo assado ao sal com grelos, temperados ambos com azeite - só um bocadinho para não corromper o sabor a mar - e testemunhem a felicidade honesta de uma rapariga resmungona.

18.5.09

Os meus dez alimentos preferidos

Número 10: Manga, e todas as suas inteligentes aplicações. Na cozinha indiana é muito utilizada, dando uma doçura exótica a molhos e sobremesas. Nunca encontrei melhor bebida do que um "lhasi" de manga bem fresco.É, em si mesmo, uma refeição luxuosa e saciante.
A minha melhor recordação culinária de infância é a de passar horas de cara suja a roer um caroço de manga, feliz e despreocupada,numa duna da praia onde os meus pais tinham uma casa. Não voltou a acontecer muitas vezes - ainda hoje é um alimento que não consumo mais do que umas três vezes por ano. Mas quando finalmente calha haver uma manga no cesto da fruta,aproprio-me dela!Desculpem-me, pai e mãe e manos, mas sabem que o meu tipo de sangue é B, o que significa que devo comer mais fruta que vocês, vulgos "A", "AB" e "O".Por outro lado, se precisarem de uma tranfusão de sangue um dia destes - e queira Deus que não - é mais provável que se desenrasquem do que eu. Sobretudo tu, mãe, senhora "dadora e receptora universal".

13.5.09

Excerto de "Gettysburg"

Aqui sozinho, agora, todos os meus medos irrompem, os medos que julguei enterrar para sempre quando me casei: medo da solidão; medo de que estar sempre a apaixonar-me e a desapaixonar-me tornasse mais difícil amar; medo de nunca sentir o verdadeiro amor; medo de que alguém se apaixonasse por mim, ficasse extremamente próximo, a saber tudo de mim, e depois desligasse a ficha; medo de que o amor só fosse importante até certo ponto depois do qual tudo é negociável.
Durante muitos anos, vivi uma vida solitária e achava a vida boa. Mas sabia que se não explorasse a intimidade e partilhasse a intimidade com mais alguém, a vida nunca iria além de certo ponto. Lembro-me de pensar que, se não soubesse o que ia dentro de outra cabeça além da minha, ia explodir.

Douglas Coupland

O meu I-Ching de hoje

17 - "Seguidores"

Seguir traz sucesso supremo. Podes não estar capaz de mudar a direcção do vento, mas se ajustares as tuas velas com frequência, podes chegar ao teu destino.
Os que obtêm seguidores devem falar a linguagem dos que o seguem. Os que são amados devem tornar-se o amante imaginado do que o ama. Os que prosperam devem lidar com as forças naturais, bem como com as pressões da sociedade.
Em matéria de princípios, sê firme; em matéria de estilo e gosto, vai com a corrente. Em todas as questões humanas, a mudança é constante. Para te manteres fresco, ideas e rotinas velhas têm de ser continuamente abandonadas em favor de novas. Só ao seres adaptável às demandas do presente poderá o bem maior emergir. Só ao ajustares-te às circunstâncias em mudança poderás prosperar. Permanece flexível, e gainharás a confiança dos que te rodeiam. Dobra e não quebrarás.

17.1.09

Khalil Gibran

DO AMOR
Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.

Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.

O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:"Eu estou no coração de Deus”.

E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.